Na madrugada de 28 de janeiro de 2026, a tempestade Kristin afetou a minha região, Leiria. A região onde resido, onde trabalho e por onde me desloco.
28 de janeiro de 2026 — Tempestade Kristin, Leiria.
Um evento que marcou a vida de milhares de pessoas — incluindo a das profissionais que continuaram a trabalhar do meio da destruição.
Retomei ao trabalho assim que foi possível. Recordo-me do caminho de 26 quilómetros em lágrimas que fiz até à clínica, devastada pela destruição que observava à minha volta. Era impossível ficar indiferente.
E eu sabia que a Terapia da Fala não seria, naquele momento, uma prioridade. Ainda assim, escolhi ir — com a intenção de dar segurança e sentido de "normalidade" às crianças e famílias que mantiveram os acompanhamentos.
A rotina dá segurança. A clínica era um espaço seguro, familiar, previsível — que felizmente se manteve sem mudanças.
Atualmente, estamos em fase de recuperação — dos bens que temos e de tudo o que vivemos. Ainda assim, essa continua a ser a minha intenção: dar segurança e previsibilidade, com foco no desenvolvimento comunicativo de cada criança, com respeito pelo que cada coraçãozinho carrega — mesmo que não seja capaz de processar, compreender ou expressar.
Globalmente, nos meus acompanhamentos, observo crianças que se sentem seguras pelo dever de proteção que os pais assumem — apesar de todo o turbilhão interno e externo que carregam.
Apesar da tempestade,
é sempre possível a bonança. 💙