O Dia das Mães costuma ser associado a amor, gratidão e celebração. As redes sociais enchem-se de homenagens, fotos felizes e palavras bonitas. Mas existe uma parte dessa história que quase não aparece — e que também precisa de ser vista.
Para muitas pessoas, esta data não é leve. Pode trazer saudade de quem já partiu, dor por uma relação difícil, ausência de afeto, ou o silêncio de um vínculo que nunca foi como se desejava. E tudo isso é válido.
Na perspetiva da TCC, como propôs Aaron T. Beck, não são apenas os acontecimentos que geram sofrimento, mas a forma como interpretamos essas experiências. Datas simbólicas podem ativar pensamentos automáticos como:
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"Eu deveria sentir-me grata, mas não sinto." "Eu não tive a mãe que precisava." "Tem algo errado comigo por não gostar desta data." |
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"Hoje é um dia difícil para mim e eu posso acolher-me nisso." |
Este movimento de reestruturação cognitiva não elimina a dor, mas transforma a forma como nos relacionamos com ela. Ressignificar não é apagar — é permitir que a dor exista sem te definir.
Se este dia for pesado, respeita o teu tempo. Porque mais importante do que corresponder às expectativas de uma data… é aprender a cuidar da tua própria história com mais compaixão.
Por Alessandra Fraga, Psicóloga · CRP 05/41711