A Páscoa traz um convite transformador: o de renascer. Não apenas num sentido simbólico, mas na capacidade de reconhecer que, em cada um, existe potencial à espera de descoberta e expansão.
Neste sentido, procuro olhar para a comunicação de cada criança como tendo esse potencial de expansão para a participação e bem-estar comunicativos no seu dia a dia.
Dois caminhos: nascer e renascer
O processo de comunicação nasce em crianças que estão a descobrir o mundo e as suas formas de expressar. Mas há processos de comunicação que precisam de renascer — em crianças que, já expressando, assumiram a comunicação como um território de risco.
E, pouco a pouco, foram adaptando a sua forma de estar e comunicar para se protegerem — substituem uma palavra por outra, falam baixo, recusam ajuda ou interação. Esses comportamentos adaptativos de esforço na comunicação causam mal-estar.
O que torna isto possível: coragem e segurança
Em ambos os caminhos — de nascimento ou renascimento — é preciso coragem, que advém maioritariamente de maturidade emocional e de segurança no ambiente comunicativo.
As famílias, os terapeutas, os educadores e professores também necessitam de coragem para se reinventarem e promoverem um ambiente comunicativo seguro — na forma como escutam, como dão espaço, como transformam o quotidiano em oportunidade comunicativa.
Para que a comunicação se torne num território seguro para a participação e bem-estar no dia a dia de cada criança.
Comunicar não é apenas ter algo a dizer.
É sentir que há lugar seguro para o dizer. 🌸