Quando o Bom Comportamento Esconde um Risco Silencioso: o jogo nos adolescentes e jovens adultos

Adolescentes · Vício no Jogo · Prevenção

Quando o Bom Comportamento
esconde um risco silencioso.

O jogo nos adolescentes e jovens adultos — sinais que os pais devem conhecer e o que fazer.

🧒 Adolescentes💜 Vício no Jogo🛡️ Prevenção✦ Leitura: 5 min
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Maria Ribeiro Paiva

Psicóloga/Coach · psYonline® Portugal · Ver perfil →

Junho 2026

Há adolescentes e jovens adultos que parecem exemplares, estudam, ajudam em casa, evitam conflitos, regressam cedo e mantêm uma vida aparentemente organizada. Pais e educadores respiram de alívio. Contudo, por detrás desta imagem tranquila pode existir um comportamento invisível e profundamente aditivo: o jogo.

 

Hoje, o jogo já não acontece apenas em casinos ou casas de apostas. Vive no telemóvel, nos videojogos, nas apostas desportivas online, nas "raspadinhas digitais", nas caixas surpresa ("loot boxes") e em plataformas acessíveis 24 horas por dia. Muitos jovens começam por curiosidade, diversão ou influência dos amigos. O problema surge quando o jogo passa a funcionar como escape emocional, fonte de excitação ou tentativa de compensar frustrações.

O vício do jogo instala-se muitas vezes de forma silenciosa. Diferente de outras dependências, pode não deixar sinais físicos evidentes numa fase inicial. O jovem continua a cumprir horários, mantém boas notas ou uma aparência funcional. Mas emocionalmente começa a ficar preso ao ciclo da antecipação, da perda e da necessidade de recuperar o dinheiro perdido.

Sinais precoces a que devemos estar atentos

Nem sempre existem sinais dramáticos no início. Pequenas mudanças podem, no entanto, merecer atenção:

— Necessidade constante de estar online
— Irritabilidade quando não pode jogar
— Preocupação excessiva com apostas, resultados ou dinheiro
— Mentiras subtis sobre gastos
— Pedidos frequentes de dinheiro
— Alterações do sono
— Isolamento emocional
— Oscilações de humor
— Perda gradual de interesse por actividades antes valorizadas

Em fases mais avançadas, o jovem pode recorrer ao roubo de dinheiro dentro da família, acumular dívidas ou desenvolver sentimentos intensos de vergonha, culpa e desespero. O risco de depressão e ideação suicida aumenta significativamente quando existe sensação de perda de controlo e medo de decepcionar os outros.

O que fazer precocemente?

A prevenção não começa quando o problema já é grave. Começa nas conversas do dia-a-dia.

Falar sobre jogo sem moralismo

Proibir sem dialogar raramente resulta. É importante que os jovens compreendam como funcionam os mecanismos psicológicos do jogo — recompensa imediata, ilusão de controlo, impulsividade e dependência dopaminérgica.

Ensinar literacia emocional

Muitos jovens jogam não apenas pelo dinheiro, mas para aliviar ansiedade, vazio, tristeza ou pressão. Um jovem que sabe reconhecer emoções tem menor necessidade de procurar escapes compulsivos.

Observar mudanças financeiras

Pequenos desaparecimentos de dinheiro, gastos digitais inexplicáveis ou utilização secreta de aplicações merecem atenção precoce, sem humilhação nem acusações impulsivas.

Promover actividades com sentido

Desporto, relações presenciais, projectos criativos e participação social funcionam como factores protectores importantes. O cérebro jovem precisa de recompensa, pertença e propósito.

Pedir ajuda cedo

Esperar que "passe sozinho" pode agravar o problema. A intervenção psicológica precoce reduz significativamente o risco de dependência severa, comportamentos ilegais e sofrimento emocional extremo.

Mais do que vigiar, precisamos de criar relações onde seja possível falar de fracasso, vergonha, impulsividade e medo sem sentir condenação. A prevenção começa quando os jovens sentem que podem pedir ajuda antes de perderem o controlo.

 

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Maria Ribeiro Paiva

Psicóloga/Coach

Especialista em adolescentes, jovens adultos e prevenção de comportamentos de risco · psYonline® Portugal

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