Ninguém te prepara mesmo para o que é tornar-se mãe.
Toda a gente fala do amor que vais sentir. Das noites sem dormir. Da logística que passa a ocupar a tua cabeça a tempo todo: as consultas, as refeições, a escola, as atividades. Isso fala-se. Isso vê-se. Mas há outra coisa que acontece, mais profundo, que ninguém vê, e que quase ninguém nomeia: a forma como mudas por dentro, de maneiras que não esperavas e que às vezes nem consegues explicar a quem não passou pelo mesmo.
Há coisas que já não te afetam da mesma forma. Situações que antes te preocupavam e que agora parecem pequenas. Há medos novos que não existiam, medos que não têm nome certo mas que aparecem a qualquer hora, sem aviso. E há uma forma de amar que não tem comparação com nada que sentiste antes. Intensa, bonita, avassaladora. E por vezes, sim, assustadora, porque nunca tinhas amado assim e nunca tinhas tido tanto a perder.
Essas partes não desapareceram, mas mudaram de lugar, foram-se acomodando à volta de tudo o resto.
O amor que tens pelos teus filhos não precisa de competir com o que sentes sobre ti própria. As duas coisas existem e podem existir juntas.
O que muitas mães não sabem é que reconhecer essa mudança não é fraqueza. É honestidade. É parares e perguntares: quem sou eu agora? Não quem eras antes. Não a mãe que imaginavas ser. Tu, como és hoje.
Célia Gomes
Parentalidade Positiva - Conselheira Certificada - Orientadora Parental