As férias são frequentemente associadas ao descanso, ao lazer e ao fortalecimento da relação conjugal. No entanto, nem sempre os dois membros do casal partilham o mesmo entusiasmo. Enquanto um deseja viajar e quebrar a rotina, o outro prefere permanecer em casa ou até continuar a trabalhar.
Embora esta diferença possa parecer apenas uma questão de preferências, muitas vezes traduz necessidades emocionais distintas e diferentes formas de lidar com o bem-estar.
Cada pessoa atribui um significado próprio às férias. Para alguns, representam oportunidade de aventura e proximidade; para outros, descansar significa manter a tranquilidade do ambiente familiar.
Quando estas diferenças não são compreendidas, podem surgir interpretações negativas, como a ideia de que a recusa em viajar corresponde a falta de interesse pela relação. É importante recordar que, na maioria dos conflitos conjugais, o desacordo visível raramente corresponde ao verdadeiro problema.
Existem diversas razões para que um dos parceiros não queira ir de férias: cansaço físico ou emocional, preocupações financeiras, ansiedade perante viagens, dificuldade em desligar do trabalho ou simplesmente uma forma diferente de recuperar energias.
Por outro lado, para quem deseja viajar, as férias podem simbolizar tempo de qualidade, intimidade e reforço da ligação afectiva. Quando esse desejo é repetidamente recusado, podem surgir sentimentos de frustração, rejeição ou desvalorização.
A solução dificilmente passa por convencer o outro a aceitar uma viagem. O mais importante é compreender o significado que cada elemento atribui às férias.
Perguntas como "O que representam as férias para ti?" ou "Como te sentes quando falamos deste assunto?" favorecem uma comunicação mais empática e reduzem interpretações erradas.
Casais saudáveis não são aqueles que concordam em tudo, mas aqueles que conseguem negociar as diferenças com respeito e flexibilidade. A investigação sobre coping diádico demonstra que enfrentar conjuntamente os desafios e procurar soluções equilibradas aumenta a satisfação conjugal e fortalece a relação.
No fundo, quando um dos elementos do casal não quer ir de férias, a questão raramente se resume ao destino ou à viagem. O verdadeiro desafio consiste em compreender as necessidades emocionais que estão por detrás dessa decisão e transformá-las numa oportunidade para aprofundar o conhecimento mútuo e reforçar o vínculo afectivo.
Bodenmann, G. (2005). Dyadic coping and its significance for marital functioning. Revue Européenne de Psychologie Appliquée, 55(1), 33–49.
Gottman, J. M. (1999). The seven principles for making marriage work. Crown Publishers.
Johnson, S. M. (2008). Hold me tight. Little, Brown and Company.
A relação merece este espaço.
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Teresa · Psicóloga
CP 15077
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