Ser mulher todos os dias: entre a exigência e o cuidado de si

Psicologia · Bem-estar feminino

Ser mulher todos os dias:
entre a exigência e o cuidado de si

No meio de tantas expectativas, conseguir manter uma ligação honesta consigo própria.

🌸 Autocuidado🧠 Regulação emocional✦ Leitura: 5 min

Ser mulher hoje é viver num equilíbrio delicado entre aquilo que já foi conquistado e aquilo que ainda se espera — muitas vezes em silêncio. Há mais liberdade, mais voz e mais espaço, mas também continuam presentes pressões subtis: ser competente, disponível, forte, empática, produtiva... tudo ao mesmo tempo. E, no meio disto, nem sempre sobra espaço para simplesmente ser.

A psicologia ajuda a dar nome a esta experiência. Muitos dos desafios do dia a dia não surgem "do nada", mas estão ligados à forma como fomos educadas e às mensagens que fomos internalizando ao longo da vida. A ideia de que temos de dar conta de tudo, de que não podemos falhar ou de que precisamos de agradar pode transformar-se em padrões de autocrítica e exigência constantes (Beck, 2011; Young, Klosko & Weishaar, 2003).

 
 
 

Regulação emocional — o que é e porque importa

É aqui que entra um dos conceitos mais importantes: a regulação emocional. Pode parecer técnico, mas na prática significa algo simples — aprender a reconhecer o que estamos a sentir, sem julgamento, e encontrar formas saudáveis de lidar com isso. Nem ignorar, nem deixar que as emoções controlem tudo, mas criar um espaço de equilíbrio (Gross, 1998).

Práticas como mindfulness, por exemplo, ajudam a desacelerar e a trazer mais presença ao dia a dia — um pequeno gesto que pode transformar a relação que temos connosco próprias. (Kabat-Zinn, 2003)
 
 
 

A voz que nos habita

Outro ponto essencial é a forma como falamos connosco próprias. Muitas mulheres carregam uma voz interna muito crítica, quase automática. A psicologia mostra que é possível questionar essas crenças e construir uma relação mais gentil consigo mesma.

Este processo está ligado à ideia de autoeficácia — acreditar que somos capazes de lidar com os desafios da vida, mesmo quando eles não são fáceis. (Bandura, 1997)
 
 
 

O autocuidado que ninguém nos ensinou

E depois há o autocuidado, tantas vezes mal interpretado. Não se trata apenas de momentos pontuais ou de "luxos", mas de algo mais profundo: respeitar os próprios limites, saber parar, dizer "não" quando é preciso. Para muitas mulheres, isto implica desaprender o hábito de se colocarem sempre em último lugar. E isso pode ser transformador (Neff, 2003).

Claro que nada disto acontece isoladamente. O contexto importa — as relações, o trabalho, a família, a sociedade. Mas mesmo dentro dessas realidades, a psicologia oferece ferramentas para criar mais consciência, mais escolha e, sobretudo, mais equilíbrio.

No fundo, talvez o maior desafio seja este: no meio de tantas expectativas externas, conseguir manter uma ligação honesta consigo própria.


E, pouco a pouco, construir um dia a dia que não seja apenas suportável — mas também significativo.

Referências bibliográficas

Bandura, A. (1997). Self-efficacy: The exercise of control. New York: Freeman.

Beck, J. S. (2011). Cognitive behavior therapy: Basics and beyond (2nd ed.). New York: Guilford Press.

Gross, J. J. (1998). The emerging field of emotion regulation: An integrative review. Review of General Psychology, 2(3), 271–299.

Kabat-Zinn, J. (2003). Mindfulness-based interventions in context: Past, present, and future. Clinical Psychology: Science and Practice, 10(2), 144–156.

Neff, K. D. (2003). Self-compassion: An alternative conceptualization of a healthy attitude toward oneself. Self and Identity, 2(2), 85–101.

Young, J. E., Klosko, J. S., & Weishaar, M. E. (2003). Schema therapy: A practitioner's guide. New York: Guilford Press.

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Psicóloga Teresa

Ordem dos Psicólogos nº 15077

Psicologia Clínica · Sexologia · Igualdade de género