A adolescência e a coragem de pedir ajuda

Não precisa de carregar tudo sozinho: a adolescência e a coragem de pedir ajuda

Por Psicóloga Alessandra, Terapia Cognitivo-Comportamental

AdolescênciaTCCAutoestimaFamíliaSaúde Mental
A
Psicóloga Alessandra
CRP 05/41711 · Terapia Cognitivo-Comportamental · Ver perfil
psYonline® Portugal

Existe um mito silencioso sobre a adolescência: o de que sofrer faz parte e que "vai passar". É verdade que esta é uma fase marcada por muitas transformações, descobertas e conflitos. Mas isso não significa que todo o sofrimento precise de ser vivido em silêncio, ou que o adolescente precise simplesmente de "aguentar".

A adolescência é um período de construção da identidade. O corpo muda, as relações transformam-se, surgem novas responsabilidades e uma pergunta que, muitas vezes, acompanha o jovem durante muito tempo: "Quem sou eu?" E junto com ela podem surgir outras: "Será que sou suficientemente bom?", "Será que as pessoas gostam mesmo de mim?", "Porque é que parece que toda a gente consegue lidar com tudo, menos eu?"

Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), entendemos que pensamentos, emoções e comportamentos estão profundamente ligados. A forma como interpretamos uma situação influencia aquilo que sentimos e a maneira como reagimos.

Por isso, aprender a identificar pensamentos automáticos, questioná-los e desenvolver estratégias mais saudáveis pode fazer uma grande diferença nesta fase.

A escola, as amizades e o medo de não pertencer

Para muitos adolescentes, a escola não representa apenas provas, trabalhos e desempenho. É também o lugar das amizades, das comparações, das rejeições, das primeiras paixões e da necessidade de pertencer. Um comentário de um colega pode parecer pequeno para um adulto, mas assumir uma proporção enorme para quem está a viver aquele momento. Pensamentos como "toda a gente é melhor do que eu", "se eu errar, vão rir de mim" ou "nunca sou suficientemente bom" podem repetir-se até parecerem verdades.

E quando o adolescente começa a acreditar nesses pensamentos, pode evitar situações, deixar de participar, isolar-se ou passar a exigir de si uma perfeição impossível. A terapia ajuda a compreender esses pensamentos e a construir uma visão mais equilibrada sobre si mesmo.

O corpo que muda e a pressão da imagem

Poucas fases da vida são marcadas por tantas mudanças físicas como a adolescência. O corpo muda rapidamente e, ao mesmo tempo, o jovem está constantemente exposto a imagens de corpos considerados "perfeitos". Filtros, padrões de beleza, comparações e comentários sobre a aparência podem afetar profundamente a autoestima.

Alguns adolescentes passam a evitar fotografias, determinadas roupas, situações sociais ou até o próprio espelho. Outros acreditam que precisam de mudar a sua aparência para serem aceites ou amados.

Mas a autoestima não significa acreditar que somos perfeitos. Significa aprender a reconhecer o nosso valor mesmo perante as nossas imperfeições.

O telemóvel, as redes sociais e o medo de ficar de fora

O telemóvel faz parte da vida dos adolescentes. Conecta, diverte, informa e permite manter vínculos. O problema não está simplesmente em utilizar a tecnologia, mas em quando esta começa a ocupar um espaço tão grande que interfere no sono, nos estudos, nas relações, na concentração e no bem-estar.

As redes sociais também podem alimentar comparações constantes: quantos seguidores tenho? Porque é que não gostaram da minha fotografia? Porque é que não fui convidado? Porque é que a vida de toda a gente parece melhor do que a minha? Existe ainda o medo de ficar de fora — o conhecido FOMO (fear of missing out) — que pode manter o adolescente ligado mesmo quando está cansado ou emocionalmente sobrecarregado.

Na terapia, o objetivo não é simplesmente dizer "larga o telemóvel". É ajudar o adolescente a perceber como está a utilizar a tecnologia e que impacto esse comportamento está a ter na sua vida.

Pertencer, ser aceite e o medo da rejeição

Compreendemos que, na adolescência, as relações com os pares ganham uma importância enorme. Ser aceite, fazer parte de um grupo, ter amigos e sentir-se pertencente são necessidades humanas importantes. Por isso, uma rejeição pode ser vivida com muita intensidade. Às vezes, o adolescente começa a mudar a forma como fala, se veste ou age para conseguir aprovação. Outras vezes, permanece em relações que lhe fazem mal por medo de ficar sozinho.

Aprender a reconhecer limites, comunicar sentimentos, lidar com conflitos e compreender que a rejeição não determina o valor de uma pessoa são competências que também podem ser desenvolvidas na psicoterapia.

A relação com os pais

Falar da relação com os pais é muito importante neste processo da adolescência. Pais e filhos podem amar-se profundamente e, ainda assim, ter dificuldade em entender-se.

Do lado dos pais, existe preocupação, medo e desejo de proteger. Do lado do adolescente, muitas vezes existe a sensação de não ser ouvido, de ser cobrado o tempo todo ou de que os seus sentimentos são desvalorizados: "Não me entendes", "Só sabes é queixar-te", "Achas que é tudo drama." Muitas vezes, por trás destas frases, existe uma necessidade de ser escutado.

A psicoterapia pode ajudar o adolescente a encontrar palavras para aquilo que sente e, quando necessário, pode também envolver os pais ou responsáveis para promover uma comunicação mais saudável.

Quando uma mudança de humor merece atenção

É importante lembrar que nem toda a mudança de humor significa que existe uma perturbação psicológica. A adolescência envolve naturalmente oscilações emocionais. Mas algumas mudanças merecem atenção, especialmente quando são intensas, persistentes ou começam a prejudicar a vida do adolescente.

Isolamento frequente, perda de interesse por atividades que antes davam prazer, irritabilidade intensa, alterações importantes no sono ou na alimentação, queda significativa no rendimento escolar, dificuldade de concentração, ansiedade excessiva ou pensamentos muito negativos sobre si mesmo são sinais que merecem ser observados com atenção.

Estes sinais não significam, por si só, um diagnóstico. Mas podem indicar que aquele adolescente precisa de escuta e de apoio profissional. Muitos adolescentes chegam à terapia porque os pais perceberam alguma mudança e sugeriram, ou insistiram, na procura de ajuda. Outros chegam a acreditar que a psicologia é só para quem "tem um problema".

Com o tempo, podem descobrir que a terapia é, acima de tudo, um espaço onde podem falar sem medo de serem julgados.

Não é preciso chegar a saber exatamente o que dizer. Pode começar com: "Nem sei bem porque é que aqui estou." Ou: "Está tudo bem, só que não consigo explicar." Ou simplesmente: "Estou cansado."

A partir daí, o processo terapêutico vai ajudando o adolescente a compreender o que se está a passar. Fazer terapia não significa ser fraco, incapaz ou "ter alguma coisa errada". Significa reconhecer que algumas coisas estão difíceis e que não precisa de as enfrentar sozinho.

A psicoterapia pode ajudar o adolescente a compreender melhor as suas emoções, a identificar pensamentos que aumentam o seu sofrimento, a desenvolver competências para lidar com os problemas, a fortalecer a autoestima, a melhorar os seus relacionamentos e a construir uma relação mais saudável consigo mesmo.

E não precisa de esperar chegar ao fundo do poço para procurar ajuda. O sofrimento não precisa de ser enorme para ser legítimo.

Se é adolescente e se reviu nalguma parte deste texto, talvez este seja um bom momento para conversar com alguém. E se é pai, mãe ou encarregado de educação, talvez o primeiro passo seja trocar o "isto é só uma fase" por uma pergunta simples: "Como posso ajudar-te?"

Um adolescente de hoje é um adulto de amanhã.

É altura de conversar?

Agende uma consulta com a Psicóloga Alessandra — para si ou para o seu filho ou filha adolescente.
A psYonline® está aqui para acompanhar esta fase.

📅 Marcar consulta agora →

🎁 20€ de oferta na primeira consulta com o teu registo

A

Psicóloga Alessandra

CRP 05/41711

Terapia Cognitivo-Comportamental · Ansiedade · Burnout · Depressão · Autoestima

Ver perfil completo →